Não sabe nada a respeito? Fique calado!

Que a classe me desculpe, até mesmo porque conheço vários jornalistas que pedalam e lutam a favor da bicicleta, mas tem jornalista que não sabe nada sobre o assunto e quando se mete a falar a respeito, só sai asneira!

Essa matéria saiu na revista Época do dia 21 de maio de 2012 e a autora é a Luciana Vicária que testou uma roda-fixa e o resultado foi esse:

“É melhor ficar no velódromo

A bicicleta de corrida não se adapta bem ao terreno irregular da rua

A mania das bicicletas de velódromo chegou ao Brasil. O modelo da marca inglesa Create Bikes é leve (pesa 11 quilos, quase metade de uma mountain bike), tem o pneu fininho e o quadro largo. Seria uma típica bicicleta de velocidade, não fosse um truque do pneu traseiro. Ele pode ser encaixado de dois jeitos no quadro. Na posição fixa, só anda com os pedais em movimento, característica comum a bicicleta de velódromo. Na posição livre, é uma bicicleta comum, com os pedais soltos, como as que conhecemos. Isso facilita na hora de pedalar na rua. É bem mais veloz que as mountain bikes. Mas não tem marcha, o que dificulta nas subidas íngremes. Seus pneus finos não suportam ciclistas pesados (acima de 100 quilos). O quadro alto dificulta a vida de quem é baixo como eu (menos de 1,65 metro). Sem suspensão e com pneus estreitos, os quadris sofrem com o terreno irregular. Custa R$ 1500,00.

Prós: É leve, veloz, resistente e tem cores vibrantes

Contras: Não tem marcha e nem suspensão

Bem, vamos às considerações!

O que torna um jornalista apto a fazer um test-drive de bicicleta? Claro que há a exceção se o jornalista for esportivo e de preferência ciclista. Ou um jornalista esportivo seria a melhor escolha para testar uma guitarra?

Que uma bicicleta roda-fixa ou single speed é leve, todo mundo sabe. Isso se dá devido o mínimo de componentes usados. Mas dizer que pesa metade de uma MB é exagero. Até pode pesar, mas atualmente existem Mountain Bikes pesando 13, 14 kg. Isso mostra a falta de conhecimento no assunto.

Outra questão é o texto enrolado. A chamada do texto diz que a bicicleta é de velódromo, usada para corrida. No corpo diz que seria uma típica bicicleta de corrida. Bem, mas uma vez a demonstração da superficialidade do conhecimento. Esse tipo de bicicleta geralmente usa um cubo que deixa a roda exclusivamente fixa (igual as de velódromo), mas existe a opção de usar esse cubo mencionado, chamado de flip-flop. De um lado é fixo e o do outro é livre (single speed). Ou seja, as fixas de ruas podem ter os dois modelos e não somente o flip-flop. Depende do gosto de cada um.

Não ter marcha não é nenhum problema. Esse é o diferencial desta bicicleta minimalista e que acaba atraindo mais adeptos. Devido a simplicidade, precisa de menos manutenção e não chama tanto a atenção de ladrões. Quanto as subidas íngremes, mesmo nas bicicletas com marchas, se o ciclista ainda não possuir bom condicionamento, não será nada fácil. Então basta descer e empurrar. Não é vergonha! Eu mesmo, quando pedalo a minha (que tem marcha), dependendo da subida, vou empurrando para economizar a perna.

Quanto a altura do quadro. Atualmente o mercado oferece quadro para qualquer altura. Portanto isso não é problema. Mais uma vez a falta de conhecimento por ter usado uma bicicleta incompatível com a altura dela.

Em relação a suspensão, a maioria das bicicletas usadas no cotidiano do brasileiro ou não possui suspensão e quando possui, é só dianteira e neste caso, o quadril continua “sofrendo” e alívio se dá nos ombros. E por falar nisso, não existe quadris. O correto é somente quadril.

Enfim, a bicicleta é tão “contra-indicada” para uso urbano que é a preferida entre os bikers messengers dos EUA, classe que entende do assunto pedalando na cidade!

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9 respostas para Não sabe nada a respeito? Fique calado!

  1. Mr. W disse:

    Sem falar que por ser single/fixed, nas subidas é mais eficiente por perder menos energia na tração.

  2. eniopaipa disse:

    hahahaha… ahhhhhh os “JORNALISTAS”… BOBONA!

  3. Paulo disse:

    Ela assinou a matéria, não assinou? Então o que ela escreve é a opinião pessoal dela. Não precisa ser “ciclista” nem “esportivo” para opinar sobre uma bicicleta. Basta saber andar numa e, de preferência, já ter andado em outras para poder comparar. Pior do que isso é comparar uma bicicleta com um instrumento musical. Nem todo mundo músico mas quase todo mundo sabe andar de bicicleta… Até animais circences…

  4. Edu disse:

    Levíssima uma MTB de 13 quilos? Você sim entende heim! A jornalista avaliou a bicicleta como pessoa normal, não como ciclista ou messenger. E para pessoas comuns, suspensão e marchas aumentam o conforto. E o pneu estreito com pressão alta aumenta os impactos no quadril (veja que ela falou do conjunto suspensão-pneu, não só suspensão). Se você quer uma avaliação de bicicleta voltada para ciclista, busque-a em uma revista voltada para ciclista.

  5. Marcos de Assis disse:

    Grandes companheiros de fixa, alguém aí tem o link dessa matéria na integra? queria ver a fonte.
    Valeu, abraço!

  6. Nan disse:

    Não sei porque tanta discussão sobre isso. É questão de gosto e pronto. Eu gosto de bike fixa mas para commuting não abro mão da minha road bike (que a propósito é uma Norco Monterey que pesa uns 24lb o que da em torno de 11kg e é 12 speeds).

    Essa galera que sempre cita os bikers messengers dos NY como exemplo muitas vezes nem sabem o que falam. New York por exemplo é terreno plano, em poucos minutos você consegue chegar a qualquer lugar e por questão de praticidade as single speed são melhores opções. Digo single speed porque a grande maioria que vejo utiliza free wheel.

    Outra coisa é o clima. Eu moro em Toronto, aqui no verão é muito quente e úmido, sério ir trabalhar de fixie só se tiver a opção de tomar banho antes de começar a trabalhar ainda mais se for em escritório, mas em compensação no inverno aqui é muito friu e seco dai sim fixie acaba sendo a melhor opção pois vc fica aquecido por pedalar constantemente e a tração da roda com asfalto torna muito mais segura a viagem.

    Em fim, eu acredito que ela deu a opinião dela como leiga no assunto o que é válido. Qualquer pessoa que nunca teve nenhuma experiencia pedalando a não ser casual cycling vai sentir desconfortável e achar que é impossível.

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