Espera.

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“O primeiro ano do resto de nossas vidas”. Jamais esqueci o título deste filme. Do filme mesmo não me lembro. Mas, esta frase sempre retorna e me incomoda.  Você já estabeleceu o seu? Quando foi que determinou o início do resto de sua vida? Se isso ocorreu cuidado, pois significa que não mudará mais. Efetiva que você aceitará as coisas como são, que começará realmente a perder! Perder… Chave, um programa na TV, um cd ou uma música no computador, perdemos! Mas afinal, o que significa perder? Somos mal educados sobre isso. Não aceitamos que algo se vá. Escondemos ou mesmo fazemos vista grossa.

Parece que nossa sociedade, dopada por um estilo de vida, aboliu a perda. Inclusive no modo correto de dizê-la, perca! Nos estudos devemos ser vitoriosos. No trabalho, alto desempenho. Em casa, os mais equilibrados. Sucesso! Não nos preparamos para perder. Não temos ritos, ou mesmo cerimônias que atenuem as perdas. Falo também de queridos, de gente que não gostaríamos de perder nunca.

Mas tempo, dinheiro, prazeres, momentos, perdemos constantemente. Por forças maiores, ou por deixarmos simplesmente escorrer entre os dedos, não nos damos conta do preço que pagamos para ter, conquistar e deixamos ir. Talvez por medo, por insegurança ou por um futuro, um momento mágico e ideal que nunca chegará. Estamos fazendo isso com nossas vidas! Com o resto de nossas vidas!

Quantas vezes você perdeu uma oportunidade de fazer o que achava que era certo, que era o melhor, que realmente lhe daria prazer, por pensar que não estaria perdendo? Que recuperaria num outro momento. Mas perdeu! A vida passa e as escolhas nos forçam à perda. Criamos objetos, rotinas e sensações exclusivamente para maquiar estas perdas. Depois, não há o que fazer. O rio não é mais o mesmo. Não adianta, o tempo é cruel e passa rápido, muito rápido. Um, cinco, dez anos se foram e você não se deu conta que perdeu. Não aceitou. Viveu achando que recuperaria, mas perdeu! Mais uma vez Pessoa:

“Queriam-me casado, fútil, cotidiano e tributável?

Queriam-se o contrário disso, o contrário de qualquer coisa?

Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.

Assim, como sou, tenham paciência!

Vão para o diabo sem mim, ou deixem-me ir sozinho para o diabo!

Por que havemos de ir juntos?”

Se estabeleceu o primeiro ano do resto de sua vida, você perdeu!

Giuseppe Ricardo Passarini.

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