Monet no tropical.

Kant dizia que o juízo estético não é guiado simplesmente pela razão, mas sim pela capacidade de imaginação: “quando se julgam objetos simplesmente segundo conceitos, toda a representação da beleza é perdida”.

Certa vez li algo que descrevia um lindo rio dourado, serpenteando as montanhas com seu ocre intenso e sua forma volumosa. Refletia a tarde que caía e deixava transparecer a calma do momento. Ainda assim a imagem passava uma idéia de poder e intensidade, já que o rio continuava truculento em sua descida frenética.

Alguém, em seguida a esta descrição, explicou que a cor amarela era resultado do efeito prismático da luz do sol sob as águas translúcidas e o serpenteado, conseqüência do relevo acidentado. Pronto, conceituou! Perdeu-se o encanto. Técnica explicando a emoção…

Posso enxergar os jardins de Monet no pesqueiro que visitei no último fim de semana. Monet num pesqueiro? Pedalei até chegar ao local onde, por alguns momentos poderíamos saborear uma comida deliciosa. Fui além. A paisagem me instigava a dizer um pouco mais. Contemplei. Minha memória insistia em resgatar experiências que meus olhos captaram e transformaram em emoção, em juízo estético. A foto está aí.

Jardins de Monet. Meu “carcamano” conhecimento artístico me limita a relembrar que este pintor retratava paisagens presentes em seu dia a dia com um estilo único. Alguns próximos visitaram os jardins originais. Privilégio! Prendo-me na comparação, mas sem esquecer que o local existe e que minha imaginação pode transcender conceitos para não deixar perder a beleza.

A personagem Shirley Valentine, no filme homônimo, diz que nos preparamos muito para um determinado momento especial. Entretanto, quando este ocorre frustra-se, pois realizar um sonho pode não ser aquilo que se imaginou. A cena dela postada de frente ao mar em uma ilha grega, vendo o sol se por, pode ser bucólica e reflexo de muitos sonhos. Na seqüência, um misto de frustração e realismo toma conta da personagem a ponto de ser interrompida por um “local”. Tentou sentir algo que sua mente não “enxergou” no momento!

Entendo que a imaginação não se acostuma a rédeas, não usa coleira, muito menos acerta datas e horários. Deve ser livre e correr o quanto queira para idealizar e ver o belo onde menos se espera. Um exercício que alguns poucos conseguem e destacam-se da realidade do feio, do massacrante, do plástico!

Existe beleza em uma equação diferencial. Basta enxergá-la como a linguagem que traduz a natureza, o raciocínio humano para entender o mundo que nos cerca! Não nos cerquemos do “normal”, do “conceitual”, do “produtivo”. Deixemos nosso intelecto livre para, sem juízo algum chegar onde quer que queira, ou possa…

Giuseppe Ricardo Passarini.

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