Novos Tempos

Tenho presenciado e participado de ações inovadoras em nossa cidade que como não poderia deixar de ser, tem trazido desconforto a vários munícipes.

Me recordo que em 22.09.2009 em uma audiência pública na Câmara Municipal discutimos a implantação das ciclofaixas de lazer e depois de um bom tempo discutindo onde seria a primeira, optávamos pela Avenida Comendador José S Martha quando um experiente servidor municipal declarou “que ninguém pedalaria na subida, todo mundo desce da bike”. Opinião respeitada, os risos correram soltos, pois em dias que temos até 30 marchas em bikes as subidas de Bauru não assustam mais ninguém. Nesse dia foi lançado, pelo vereador Fernando Mantovani, um desafio ao prefeito Rodrigo Agostinho: inaugurarmos a ciclofaixa da Avenida Getúlio Vargas no dia da criança, dali a 20 dias, o que foi realizado com uma fantástica novidade: a Recreiovia, que acabou por fechar a pista toda da avenida. Isso trouxe reclamações, injúrias, choro e ranger de dentes de que ninguém usaria, “um absurdo! E por onde passariam os carros?” A recreiovia está lá para completar dois anos de instalação e junto com as academias tornaram-se um point de saúde e convivência no trecho reservado. Depois vieram as ciclofaixas de lazer e de trabalho na Avenida Marcos de Paula Rafael, mais uma choradeira, inconformismo e impropérios de uma parcela da população, que tem sim que ser respeitada e devidamente esclarecida sobre os planos da cidade, o que acaba trazendo mais adeptos de uma saudável forma de Vida.

Mais recentemente um novo ato: as ciclofaixas da Av Com. José da Silva Martha finalmente foram implantadas! Foi uma carneficina. Choro e ranger de dentes novamente, impropérios, vociferações, inconformismos, mas louve-se a coragem de enfrentar uma reação sabidamente selvagem, mas foi implantada. As primeiras reações vieram dos freqüentadores do Santuário: Meu Deus onde vamos parar nossos carros? Depois os comerciantes: Onde meus clientes pararão seus carros? Detalhes: a “Comendador” não comporta três faixas, a que se usava para estacionamento tem pouco mais que metro e meio, não comporta um carro sem que se comprometa as outras faixas. A região do “Santuário” tem muitas vagas para se estacionar o carro, ocorre que muita gente vai só, cada um em seu carro, outros tiram o carro da garagem, andam poucos quarteirões, estacionam e … andam outros tantos quarteirões. Não seria mais fácil ir logo a pé? Que tal compartilhar um pouco mais uma ida ao Santuário? Porque não se libera 100% de rebaixamento de guias para imóveis que tem recuo em logradouros com proibição de estacionamento?

Grande parte do Mundo desenvolvido hoje tem políticas voltadas exclusivamente para a mobilidade urbana. Isso inclui transporte coletivo otimizado, transportes alternativos como bicicletas e independente da topografia de suas cidades. Bauru mesmo não tem grandes subidas, Botucatu tem! E ainda assim o nº de bikes circulando é maior que aqui. O que nos cabe é educar nossos filhos para uma nova realidade: entupimos as ruas com cada vez mais carros e não há forma de colocarmos todos nas ruas! Faz-se necessário uma nova postura mental para nossa locomoção. Pessoalmente sempre sugiro a bicicleta, pois além de seus benefícios, promove a Amizade. Experimente parar um carro na rua e conversar com um Amigo que a tempo não vê. Dirigindo carro ou pilotando moto estamos sempre com pressa, nunca paramos para um simples “oi”; tudo o que pensamos é… no carro. Isso tudo é resultado de um extenso programa rodoviarista, muito bem engendrado pelas montadoras que perderam seu espaço em boa parte do Mundo e estão voltando seu foco para Brasil, Índia, China, Rússia.

Acredito realmente que o que precisamos é nos humanizar mais, valorizando o convívio, protegendo nosso ar e promovendo a cidadania com ações menos egoístas como por exemplo um casal que vai a Igreja, cada um com seu carro pois enquanto um, depois da missa, vai ao mercado o outro vai para casa…

Por: Marco Labão

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Uma resposta para Novos Tempos

  1. Luiz Carlos Pereira disse:

    Pressa: eis a praga da vida moderna. Adoramos deus, o carro e o relógio. Fazemos tudo pra chegar na frente, sermos os melhores e mais bem apresentados. Poder, fortuna e prestéigo. A tríade que determina se vc é ou não é cidadão. Sem não tem carro, mulher bonita (ou homem bonito), e um lugar para estacionar, perto do seu objetivo, é um zé ninguém, com letras minúsculas.
    Mudar este comportamento náo é fácil. Ele é pautado numa lógica que não começou no dia do meu nascimento. Nasceu junto com a ‘civilização’. Com a ‘Cultura’.

    No dia que as pessoas perceberem que um trajeto feito a pé, ou de bicicleta, substitui as horas de academia, ou os remédios anti depressivos, teremos um mundo mais humano e cordial. Mas isso parece que não está na moda, nos últimos tempos. Precisamos ter muita energia, para continuar a luta pelo convencimento da população, para as vantagens da saúde gratuita e de boa qualidade.

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