Quando tudo isso acabar restará apenas os bons momentos que passamos juntos…

Lembram-se daquela aula de física do antigo colegial? Lembram-se daquele programa que passava nas tardes de domingo? Lembram-se daquela roupa que usávamos para ir trabalhar? Lembram-se daquele rapaz que fazia uma apresentação de ginástica? E aquele filme sobre a cidade de São Paulo, lembram-se? Então, continuam os mesmos! Nada mudou…
Vivo o mundo da escola. Vejo colegas pregarem as disciplinas como dogmas. Transmitem o que receberam em sua formação. Transmitem o que receberam em sua formação da mesma forma que receberam em sua formação. Ou seja, nada mudou. Em casa, com a maior boa vontade, educamos nossos filhos com as referências que temos do berço. No trânsito dirigimos como a massa móvel. No trabalho executamos tarefas produtivamente.
Betty Milan em um artigo escrito para revista Veja fala sobre a “ameaça da canção de ninar”: dorme neném que a cuca vem pegar! Quantas vezes ouvimos esta música? Repetimos sem cerimônia para um bebê bêbado de sono. Com razão ela constata que se está ameaçando a criança. Concordo com ela. Não seria melhor “dorme, meu anjo lindo, que a noite é de lua…”? Finaliza seu texto dizendo que “não somos educados para ser felizes, e sim para repetir o que os outros fizeram sem se questionar.” Elis Regina canta “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais.”
Galileu inverteu o centro do que era conhecido. Newton observou o que se fazia presente a tudo que existe na face da Terra. Freud enxergou o íntimo de cada ser humano. Inovaram. Quebraram os paradigmas vigentes. Pensaram totalmente diferente. Questionaram o estabelecido e tentaram. Em nossos dias não são poucos. Anônimos ou não temos vários exemplos brasileiros. Amyr Klink atravessou o Atlântico remando. JK mudou uma capital de endereço. Pesquisem. Miguel Nicolelis revolucionou o pensamento sobre o neurônio. Dona Therezinha Zorowich facilitou o processo de lavar o arroz. João, Antônio, Alberto pensaram em novas formas de ganhar dinheiro.
Inovar significa ver o que não está implícito. Reconhecer que o que uns chamam de “A” e outros de “B” pode ser dito como “AB”. Enxergar o que existe no íntimo das coisas e criar o novo. Não aceitar simplesmente que “sempre foi assim”. Que não existe saída. Ou que estamos fadados à rotina.
Lembro-me de uma passagem interessante. Progressão geométrica, PG. Escola, matemática, segundo grau, colegial, ensino médio atual. Basicamente é quando algo cresce de forma rápida, multiplica-se exponencialmente, ou seja, em quantidades muito grandes. Pois bem. No filme “A corrente do bem” isso é ilustrado de forma genial. O garoto, tentando idealizar seu trabalho de escola, usa esta ferramenta para ajudar pessoas. Em sua idéia, ele deve fazer algo de bom para dois desconhecidos. Ambos devem repetir seu ato. E assim sucessivamente. Pensem, ao final de um dia imaginem quanto “bem” foi feito. PG. Uma ótima maneira de explicar aos alunos este fantástico raciocino lógico. Muito diferente das aulas salivares, monótonas, formuladas e repetidas infinitas vezes nos quatro cantos.
Você ainda enxerga a bicicleta como um brinquedo de criança? Vê a rua apenas para os carros? Quando pensa em se deslocar, encerra a questão com a idéia fixa de se locomover em quatro rodas? Desafie-se. Tente inovar e aceite os riscos deste seu ato. Não concorde simplesmente com o estabelecido. Não falo somente de bicicletas. Incluo trabalho, família, lazer e saúde. Ford e seus engenheiros tentaram controlar todos os movimentos humanos para extrair o máximo possível. Para eles esta era a única maneira de se trabalhar. Nossa sociedade se adaptou a isso, não questiona. Produz das 8h às 18H. Não sejamos Newton, Galileu ou Amyr. Sejamos nós mesmos, humanos e pratiquemos o que temos de mais belo e singular, a razão.

Giuseppe Ricardo Passarini.

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Uma resposta para Quando tudo isso acabar restará apenas os bons momentos que passamos juntos…

  1. Que belo texto Giuseppe. Me alegra ver que a em meio a tanta ignorância existam pessoas como você, que acreditam e lutam por um mundo mais sensato.

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