Acabaram minhas fotografias.

Retrato! Há pelo menos cento em oitenta anos temos fotografias. Em textos “internéticos”, li que “a invenção da fotografia não é obra de um só autor”. Desde seu início, inúmeros foram os colaboradores que evoluíram a fotografia até o que conhecemos ou utilizamos hoje. Passamos de sistemas de registros de imagens em superfícies reagentes à luz, utilizando prata, até sistemas digitalizados com capacidade de transformar o Quasimodo na mais bela celebridade do Festival de Cannes.

Interessei-me por fotografia na época da faculdade. Um grande amigo, hoje compadre, me envolveu em alguns projetos, daí parti para um conhecimento mais profundo. Época totalmente analógica, tanto nos para fotos quanto para livros, embrenhei-me neste universo apenas com a curiosidade e um guia comprado em banca de jornal. O guia fez sua parte, mas a curiosidade foi longe. Foram grandes aventuras, afinal o que faz a foto é a situação, o ponto onde temos que chegar para registrar aquela imagem.

Nos desvios da vida, meu equipamento ficou esquecido no fundo do armário. Indefeso, foi sendo ultrapassado por primos digitais, cada vez mais rápidos e poderosos naquilo que se propunham. Em uma atitude traidora e infiel, entrei na era eletrônica. Maravilha, possibilidades infinitas, recursos mais do que sofisticados.

Mas alguma coisa me chamava para minha companheira antiga. Meu coração me puxava para aquela que me ensinou tanto por um tempo maravilhoso. As luzes do moderno me encantavam, embriagavam, mas minha dívida estava aberta ainda.

Era isso, o que eu aprendi na curiosidade, na tentativa e erro, nos diversos projetos que tivemos juntos. Isso nenhuma máquina digital me daria. Em minha ilusão amadora, fiz muitas fotos analógicas. Ficava ansioso em saber qual era o resultado. Existia a revelação. Isso mesmo, para se ter a foto, deveríamos esperar!

Retomei minha companheira recentemente. Claro, sua idade não permite longas caminhadas e muito tempo fora de casa. Comparada com sua irmã mais nova, dá impressão que ganhou peso e perdeu agilidade. Mas está firme naquilo que se prontifica. Adoro colocá-la em meu rosto e regular todas as suas possibilidades. Tenho um filme de 36, pronto para ser revelado. Ansioso!

Podemos inundar nossos cartões de memória com milhares de imagens de aniversários, batizados, passeios, namoradas e coisas nossas somente nossas. Mas são voláteis. Em um toque apagam-se como vela na chuva.

Tento registrar tudo que acho interessante, coisas que penso poder me inspirar para escrever ou mesmo mostrar para outros. Mas, recentemente pensei que minhas fotografias tivessem acabado. Meu “estoque” estava se vaporizando rapidamente.

Observar algo se esvaindo, escorrendo entre os dedos choca, causa um desconforto. Então pedalo. Pedalo para retomar o que gosto e inspirar minhas palavras. Fotografo minha passagem e registro meus sentimentos nestes textos. As imagens são conseqüência de um processo maior, de algo que fermenta em nossa idéia e deve ser praticado, caso contrário se estraga. Uma coisa ligada à outra para fomentar o caminho da vida, nossa rápida passagem por aqui. Não deixe suas fotos engordando nas gavetas, muito menos assopre para a lixeira suas impressões dos momentos. Crie vida e inspire a partir delas…

Passarini.

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