O ser humano não deu certo!


O prof. Vicente Falconi Campos afirma que todas as instituições humanas são fundadas por não termos capacidade de realizar o que é necessário para nossa sobrevivência. Quando estudei um pouco de filosofia, me marcou um texto que apresentava o ser humano como algo incompleto, algo falho, com sérias limitações. Que pancada!
Mas não temos todos os poderes para fazermos de tudo? Podemos fabricar, modificar e comprar tudo o que for possível. Paisagens, pessoas, coisas nunca são as mesmas depois da passagem do homem. A Terra não se “comporta” mais como antes. Inclusive, alguns querem que seja assim. Muitos acham que isso é verdade. O homem, na sua falha pretensão de todo poderoso, passa a falsa imagem e impressão de que o ambiente deve se adaptar e não o contrário.

Na semana passada houve um eclipse lunar. Da janela do escritório, lá em casa, tenho uma vista privilegiada do céu. Do nascer do sol às suas cores poentes. Do surgimento da lua no horizonte à escuridão de noites em que está ausente. Seja por conversas ou por outros meios (eletrônicos inclusive), soube do espetáculo que se anunciava. Não deu outra. Assisti ao balé dos astros literalmente de camarote.
Entretanto, o computador insistia em me chamar para observar o fenômeno através de um site que me “vendia” a imagem de forma magnífica. Pensem: alguém filmou e disponibilizou o fato para todo o mundo, na forma digital e totalmente on line. Que maravilha! Vários ângulos, explicações técnicas, previsões catastróficas, tudo ao alcance de um click! Quantos deixaram de ver tudo pela janela, sentindo o cheiro da rua, os sons da cidade, a temperatura do ar, por permanecerem colados ao micro?
É isso. Estamos tendendo a nos separar de algo que fazemos parte. Muitos acham que o homem independe da natureza, que é algo à parte, que tem sua própria existência distante do que o ambiente apresenta. É neste sentido que o texto afirmava que somos incapazes. Somos animais, limitados no que diz respeito à sobrevivência com os recursos que a natureza nos proporcionou. Não somos velozes o suficiente. Não sabemos nadar grandes distâncias, muito menos sob a água. Temos visão, audição, tato e paladar limitado. Somos extremamente fracos e frágeis frente a qualquer desafio natural que nos é apresentado.
Mas então o que nos faz humanos? O que nos diferencia do restante dos animais? Simploriamente, nossa capacidade de pensar, de projetar, de usar a razão frente aos problemas. Para o frio, criamos roupas, para a chuva o telhado, para andar as bicicletas, para nadar barcos, para voar aviões. Força, velocidade, precisão quem nos dá são as máquinas. Mas tudo para sobreviver ao natural. Nosso corpo deve se adaptar ao ambiente, senti-lo, ajustar-se. Nos extremos recorremos às nossas criações. Devemos fazer o que somente o ser humano é capaz, criar!
Não o contrário. Quem disse que um local, para se viver deve ser totalmente desprovido de árvores? Que ambiente pode permanecer à mesma temperatura sempre, sem sabermos se chove ou faz sol, se está frio ou calor? Na sociedade moderna temos isso. Pessoas que vivem em ar condicionado. Gente que entra em um escritório e passa todo um período sem saber se é dia ou noite, se chove ou faz sol.

Muitos ciclistas afirmam que, após adotarem as bicicletas como meio de transporte passaram a perceber melhor sua rua, sua cidade. Visualizaram coisas que passavam anônimas em seu dia a dia. Descobriram lugares e pessoas pelas pedaladas. Na verdade meus amigos, vocês se ligaram novamente ao que é natural, ao que seu corpo faz parte. Tornaram-se humanos com todas as suas limitações físicas, mas com inteligência e sensibilidade característica de nossa espécie. Antes de se afirmar como ser supremo, antes de colocar seus interesses pessoais à frente do coletivo, pense que faz parte disso que chamamos de ambiente. Que seus atos e necessidades influenciam toda uma comunidade. Pratique o que de mais importante e bonito temos em relação aos animais, a razão!

Passarini.

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Uma resposta para O ser humano não deu certo!

  1. Olavo Ludwig disse:

    E viva a bicicleta!

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