Sentido! Sentido…

Fotos são minhas?


No relance a imagem saltou-lhe aos olhos. O estímulo visual foi mais forte que todos os outros. Cheiros, toques, sons perderam o interesse como uma mudez interminável. Era a luz que o encantava. O piscar freqüente de milhões de pontos que dava sentido à sua vida naquele momento.
Mas, sua imaginação não se deixou levar apenas pela economia de sensações da TV. Não ficou satisfeito apenas com as imagens que lhe eram apresentadas por aquele aparelho frio e determinado. Tinha como inquietação seus sentidos buscando algo novo. Lembrou-se de Platão, com suas alegorias e cavernas. Sabia que existia algo mais.
Em pequenos contatos, percebia que a cozinha lhe dava odores que o levavam a lugares distantes no mundo. O rádio mostrava-se como um instrumento apresentando-lhe sons seculares e tão intensos que mexiam com sua emoção. A rua poderia trazer asperezas e suavidade apenas com o passar das mãos nas milhares de paredes de um pequeno caminho. Eram seus sentidos interagindo com o redor.
Sabia que fazia parte daquilo que chamavam de mundo. Sabia que seu corpo reagia com o ambiente, não apenas de forma biológica, não apenas como um cidadão perambulando sobre a Terra. Entendeu que artistas, visionários, aventureiros tiravam mais apenas observando o que os rodeava.
Um bicho sente frio, calor, umidade e secura. Mas ele poderia transformar estas sensações em algo que mexesse com outros, que transformasse um ambiente, que tornasse sua passagem mais marcante.
Comidas, bebidas, móveis, cores, perfumes, flores, tudo poderia ser combinado para proporcionar prazer, para ampliar o agora, para transportar sua mente para onde quisesse. Pedalou e tirou esta fotografia…
Apenas uma escada, um canto esquecido em um sítio. Mas mágico aos seus olhos. Remetendo-o a paisagens estrangeiras, fazendo-o lembrar de sua infância e dos sítios com seus pés de fruta, seus pés de moleque, seus pés sujos. Pensou que quem havia construído aquela escada, talvez imaginasse esse resultado apenas como uma forma de passar “daqui pra lá”. Mas ele combinou a bicicleta, a luz e o cenário para viajar mesmo não estando por ali…

Passarini.

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