Quem é o prepotente?

O jornalista e intelectual Ricardo Orlandini é mais um exemplo do quanto a maioria dessa classe se mostra despreparada, sem conhecimento e preconceituosa quando o assunto é mobilidade urbana, trânsito e bicicletas. Para alguém que se propõe “fazer pensar”, mostrou-se bem arcáico e conservador através do artigo que ataca ciclistas urbanos, caracterizando-os como vandalos destruidores de retrovisores, super-homens prepotentes e imprudentes responsáveis pelos acidentes de trânsito.

Segundo o jornalista:

Mas outra coisa que me aterroriza é a moda entre os ciclistas de trafegarem nas vias públicas. A maioria deles não respeita as regras do trânsito e “adoram” trafegar com “fones de ouvido”, escutando sei lá o quê, parecendo “super-homens” que nada sofreriam se batessem em algum veículo.”

Será que o jornalista não sabe que na maioria dos acidentes, é o condutor do autmóvel que colide com o ciclista ou pedestre e não o contrário?

O que ele também não sabe é que trafegar nas vias públicas não é “moda”. É direito! Segundo o CTB, Art. 58 – Quando não houver ciclovia, a circulação de bicicletas deverá ocorrer nos bordos da pista, no mesmo sentido de circulação  e com preferência sobre os veículos automotores.

E por acaso condutor de automóvel sabe respeitar as regras de trânsito? Reclamam da indústria das multas, mas esta só existe porque é alimentada por uma fábrica de idiotas maus condutores.

“Os fones são um “acessório” que os ajuda a não escutar nada do ambiente, colaborando no sentido de causar acidentes, pois além de tirar a atenção, lhes priva de um dos sentidos fundamentais para conduzir qualquer veículo, que é a audição.”

Ricardo, até concordo com você. Realmente o som tira atenção. Mas se fosse assim, os carros não deveriam ter rádio ou somente a atenção do ciclista é afetada com o som e a do condutor de automóvel não? E olha que existe condutor de automóvel que trafega com o volume acima do permitido legalmente. Será que a atenção dele é a mesma?

“Além disso, a grande maioria destes ciclistas não usa nenhum tipo de proteção, como capacete, cotoveleiras e joelheiras. Para completar, muitos deles se acham os donos das ruas, trafegando de forma como se estivessem em uma ciclovia segura, onde os demais também são ciclistas.”

Você acha que se o ciclista andar como um cavaleiro medieval isso diminuiria os riscos de acidentes? Será que tais aparatos protegeriam contra um veículo de 500kg, trafegando a 70km/h? Ou educação, gentileza e respeito no trânsito seriam mais eficientes?

Para completar, donos da rua ou não. A rua é de todos. É do transporte coletivo, do carro, da moto e da bicicleta.  Só para reforçar: Segundo o CTB, Art. 58 – Quando não houver ciclovia, a circulação de bicicletas deverá ocorrer nos bordos da pista, no mesmo sentido de circulação e com preferência sobre os veículos automotores.

Percebendo a burrada besteira que fez, decidiu se retratar com humildade saindo pela tangente, querendo agradar a massa crítica enfurecida, mudando completamente o seu discurso, mas mantendo o mesmo tom elitista e carrocrata ao dividir o condutor de bicicleta entre ciclista e “bicicleteiro”.

“Confesso que peguei pesado ao generalizar a atitude de dois ciclistas ou bicicleteiros, como queiram..”

Confesso, eu, que fiquei surpreso com o novo texto. Palavras de um verdadeiro cicloativista. Quase o vi, levantando a bandeira, numa Bicicletada. Na verdade parecia mais um ctrl+c, ctrl+v nos comentários deixados em seu artigo.

Para um jornalista que divulga um banner ecoativista, ficou paradoxal o artigo. Ainda mais porque vai na contramão da atual tendência mundial que vê na bicicleta a solução para o trânsito caótico e redução das emissões de CO2 dos carros.

Pergunto ao jornalista: Qual a sua pegada ecológica? Como você deixa sua pegada? De transporte coletivo, automóvel particular ou de bicicleta?

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6 respostas para Quem é o prepotente?

  1. Álvaro Diogo disse:

    Perfeito! Sem nada a acrescentar.

  2. daguvasco disse:

    Perfeito! Sem nada a acrescentar. (2)
    Sensacional, pra calar a boca de tonto que nem sabe o que ocorre…

  3. cicloveg2 disse:

    Me parece que o fulano em questão não sabe do que está falando.. entrou de cabeça em um assunto sem fazer pesquisa alguma e depois que teve o feedback mudou de idéia… enfim, escreveu por escrever, para aparecer, sem nada conhecer..

    Sempre vejo jornalista falando sobre a surdez, educação para surdos etc com uma visão totalmente de fora da coisa… falam um monte de asneiras sem se aprofundar no assunto.. jornalista é um bixo que quer falar de todos os assuntos mas não tem tempo pra se aprofundar em nenhum deles.

    PS: a Raquel é surda. Ela não pode pedalar e não tem atenção por causa disso? Fones de ouvido são só uma desculpa idiota para encher linguiça no texto do cara.

    É isso aí Gledson.

    Abraços Diego Ferrari Bruno (postando como cicloveg por preguiça de fazer logout/login)

  4. Tony disse:

    Valeu. Tbm deixei um comentario pra ele, nao sei se vai publicar, e claro. Gostei do CARROCRATA essa e nova pra mim…rs rs… q ignorancia a desse jor-na-lis-ta…
    cicloabraco

  5. Thiago disse:

    Excelente texto!! disse tudo!

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