Um ciclista a mais!

Apesar do nome pomposo, Thiago Beleza não é nenhum galã que interpreta algum personagem ciclista de nenhuma novela fictícia, pelo contrário, é um ciclista que na sua novela da vida real enfrenta uma competição diária para sobreviver, principalmente no trânsito. Acorda cedo, pega transporte público privado(a), enfim, passa por todos os perrengues que nenhuma novela mostra.
O início
Ja faz muito tempo. Desde o terceiro colegial. Mais de 6 ou 7 anos que eu ao andava de bicicleta. Qdo adolescente tinha um pequeno, branca, montada a muito custo e que era meu xodó. Depois de me mudar, trabalhndo e estudando (só parava em casa pra comer e dormir) acabei vendendo só pra desocupar o quintal.
A tentativa frustrada
Ano passado tentei voltar a pedalar. Trabalhava na estação Morumbi da CPTM (linha esmeralda) e podia pedalar até o Grajaú. Levei a bicicleta velha do meu pai pra revisão geral, comprei capacete e o escambau.
Pra chegar lá usando transporte coletivo, eu precisava pegar duas lotações e levava, em média, 50 minutos. De bike, mesmo com o despreparo, levei 45 minutos.
O maior problema, além do cansaço físico é o risco que corria na avenida Senador Teotônio Vilela, que tinha um transito intenso e pesado (com vários ônibus e caminhões) e definitivamente seria arriscado demais continuar na empreitada. Somado a isso, a bicicleta era totalmente ruim: parecia que eu não saía do lugar, como se pedalasse em uma piscina de mingau de maizena, o que garantiu dores nas pernas, nos braços e nas costas.
Desisti no segundo dia. Até aquele momento, pra poder enfrentar estes 18km de pdalada todos os dias, eu precisaria de, no mínimo, uma bicicleta melhor, que me custaria, não menos que oitocentos paus (R$800,00). Definitivamente, com os projetos que eu tinha, essa não era uma de minhas prioridades. Defini qeu as dores do meu corpo era pra eu aprender que favelado quando quer uma de ecoplayboy e ir trabalhar de bicicleta, pagava com uma semana de dores musculares e desisti da idéia.
Porque eu sou brasileiro, e não desisto nunca!
Um ano depois, twitando sobre a odisséia diária de 3 horas pra voltar pra casa que enfrentava todos os dias, veio o desafio: #VaDeBike. Partiu do @pedalante, que me abriu os olhos para o fato de que não era necessária uma bicicleta que servisse café pra pedalar por Sampa e que talvez, gastando pouco, eu pudesse usar a bicicleta velha do meu velho pra me acostumar a vencer grandes distâncias.
Em uma conversa de bar, no dia em que nos conhecemos pessoalmente, me deu dicas sobre as regulagens da bicicleta pra evitar problemas nos joelhos e costas, além de uma série de informações úteis sobre a atividade. Falou também do aspecto político do ato de pedalar, sobre compartilhamento dos espaços públicos, sobre a privatização das ruas pelos motoristas e sobre a política do governo de priorizar o transporte individual em detrimento do bem-estar da maioria da população.
E me lembrou qeu a bicicleta não era artigo de luxo e não servia somente pro lazer. Que ela também podia (e devia) servir como um meio de transporte.
Sobre os riscos de enfrentar o transito desp´rotegido em cima de uma bike, me falou de caminhos alternativos pra se chegar ao destino.
No dia seguinte, havia combinado e fotografar um ato no Grajaú e ao levantar, pegar o bilhete único, lembrei qeu podia pedalar. Era sábado, eu não tinha pressa e podia usar esse tempo pra aprender os caminhos que me levariam a estação Grajaú.
Novamente, resgatei a bicicleta do porão da casa dos meus pais e parti. Nos primeiros 5 minutos minha bunda ja doía. Parei na bicicletaria e resolvi tentar amenizar alguns problemas. Troquei o selim, peais (que eram de plastico) e comprei uma corrente com chave pra trancar a #bike. Resolvi investir um pouco mais pra ganhar velocidade, já que a bike parecia amarrada. o @CachorroMorto me indicou pneus mais largos e cheios. O bicicleteiro me indicou cubos roletados. Feito. Pedi pra ele montar duas rodas completas com os tais cubos (que eu ja havia usado portanto, conhecia as vantagens).
1º dia (sábado)
Saí da bicicletria sentindo a diferença dos pedais e do selim. Percebi que estava mal regulado mas mesmo assim, continuei. Fiz o primeiro desvio pra escapar da Teotônio e descobri qeu nãoia conseguir aquilo. A ansiedade de chegar e a velocidade que eu ganhava nas descidas da avenida me instigavam. Na primeira saída, assumi os riscos e parti pro trânsito, que por ser sabadão, não estava tão intenso. Descobri que as subidas seriam um desafio e tanto.
Em uma hora estava no Grajaú. Cheguei bem cansado, com as pernas meio bambas, mas em meia hora ja estava recuperado.
A volta pra casa também correu bem. Voltei direto pela Teotônio e o transito ja estava mais intenso. Percebi que não ia poder enfrentar aquilo nos dias de semana.
Cheguei em casa com as pernas bambas e quase caí umas duas vezes. Pensei em descansar na segunda e voltar a pedalar somente na terça, mas a ansiedade faliu mais alto. No domingo, busquei as rodas novas que estavam prontas e descansei o resto do dia. Pedalei apenas 5 minutos e pude perceber que a coisa tinha melhorado e muito.
2º dia (segunda-feira)
Segunda feira. Sai as 5:40, estava com bastante sono, mas a ansiedade que não me deixou dormir a noite me deixou bem desperto pela manhã. Estava muito frio, e eu me equipei bastante. Camiseta, blusa de lã, moeton por cima, toca de lã, luvas e lã e cachecol. UFa! Frio eu não ia passar.
Seria impossível pegar a estrada do Jaceguava pra fugir da Sadamu Inoue (trecho que antecede a Senador Teotônio Vilela, mas é a mesma avenida), pois as ruas de terra não possuiam iluminação e estavam bem enlameadas no dia anterior. Segui novamente pela Teotônio. O trânsito estava intenso e era complicado, realmente complicado pedalar nesta estrada.
Logo no início, percebi que o câmbio traseiro estava desregulado. Sempre que colocava na marcha mais pesada a corrente escapava da catracae e prendia no quadro. Tive de parar duas vezes pra resolver o problema.
Nas descidas percebi que as novas com pneus lisos de alta pressão e cubos roletados fizeram uma grande diferença. A bicicleta deslizava pelo asfalto. As subidaainda eram o meu maior problema.
Em 55 minutos estava no Grajaú. Quando estava pra entrar no trem percebi que havia tirado uma luva e tina deixado em algum lugar no caminho. Eu gostava daquela luva, tinha trazido do peru.
Quando desembarquei na estação Cidade jardim, e pensei na caminhada de meia hora, desanimei. Por sorte, encontrei uma colega de trabalho que acabou me arrastando até a ONG.
As pernas doíam menos e já não estavam bambas. Porém, o dia no trabalho foi difícil.. me sentia como se tivesse corrido a são silvestre carregando um rolo compressor e eu ja imaginava o sofrimento que seria na volta.
Não foi tão difícil. Quando comecei a pedalar, todo o cansaço que eu sentia desapareceu.
Quando cheguei em casa, regulei o câmbio e aumentei o banco, seguindo a dica do @pedalante, e o deixei de modo que só a ponta dos pés tocam o chão.
Cheguei em casa mais disposto do que no dia anterior. Bem casado, com dores nos braços e nas pernas. mas cheguei bem.
3º dia (quarta-feira)
Estava bastante cansado do dia anterior mas disposto a encarar. Dessa vez resolvi seguir um caminho alternativo rpa evitar o transito. Consegui evitar a maior parte da Teotônio e levei o mesmo tempo do dia anterior. As subidas eram vencidas com um pouco menos de sofrimento.
Chegando no grajaú, descobri o pneu traseiro furado. Eu estava sem uma câmera reserva. Enconstei a Bike no bicicletário.
4º dia (quarta feira)
Separei um par de colheres, tirei a câmera da roda que estava na Bike antes e enfiei tudo na mochila. Quando voltei do trabalho, peguei a bike no bicicletário e parti pro posto de gasolina mais próximo. Fiz a troca da câmera de ar, calibrei e parti. Em 44 minutos estava em casa, evitando todo o trecho mais crítico da Teotônio Vilela.
Vencer as subidas já não era um sofrimento tão grande e eu ja não sentia dores na bunda. Em compensação, sentia os joelhos queimarem a cada subida. Não sabia seera por pedalar sentado ou peçla regulagemdo banco. Preciso resolver isso.
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Uma resposta para Um ciclista a mais!

  1. b disse:

    Eu ri com o Nome pomposo…hahaha…

    fico mto feliz com essa aoclhida da comunidade ciclista da cidade (e de fora também).. lindas palavras… ótimo blog… obrigado, de verdade…

    Essa força é fundamental pra não perder as esperanças….

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