Cidade das bicicletas ou dos carros?

A foto apresenta um trecho do ciclo-faixa na Rua São Paulo, quase esquina com o perigoso cruzamento da Rua Barra Velha, localizado no Bairro Floresta. O horário do registro fotográfico é 17h26min, do dia 23 de Junho de 2010.
Quando criança era comum fazer pequenas rampas para “dropar” com a bicicleta, prática ainda comum entre as crianças do Bairro Floresta, inclusive de outras localidades de Joinville. Nunca utilizamos areia para realizar os nossos obstáculos, geralmente era um monte de barro, retirado de algum “barreiro” próximo ou furtado inocentemente de alguma obra da especulação imobiliária já crescente no final dos anos oitenta e começo dos anos noventa. A rapa de areia apresentada na fotografia não é uma brincadeira das crianças do bairro: presenciei a obra no terreno ao lado da ciclo-faixa. A obra era realizada por três trabalhadores, um caminhão e uma máquina, não constava informação de estarem a serviço do poder público municipal.
No último sábado em trecho da Rua Santa Catarina, próximo ao Terminal de ônibus Sul, uma obra numa grande propriedade privada provocou o deslizamento de terra na rua, causando por volta de 11 acidentes automobilísticos. A população da região se mobilizou e fechou o trânsito queimando pneus e chamando a mídia local, dando uma cobertura ao caso. A Prefeitura Municipal de Joinville foi chamada, quando atuou a empresa prestadora do serviço naquela propriedade privada.
Os dois fatos são emblemáticos a nossa reflexão sobre da mobilidade urbana, envolvendo as quatros formas: pé, zicas, zarcões* ou carros. Que de qualquer maneira colocam em riscos as vidas das pessoas da cidade. Já que é quase nula os espaços com seguranças para pedalar na cidade “das bicicletas”, o que está disponível fica a mercê dos interesses privados, em certas circunstanciais sem a fiscalização do poder público municipal.
É preciso uma campanha educacional aos motoristas que transitam no trecho da Rua São Paulo, ao mesmo tempo aos trabalhadores que estão executando as obras, não falo de perseguição da classe trabalhadora, mas um processo de formação educacional ao tema da mobilidade urbana e, ao mesmo tempo, aos muitos ciclistas que não utilizam ciclo-faixas. O problema é geral, a solução está nas mãos de todos.
Por Flavio Solomon, membro de Frente de Luta pelo Transporte Público e colunista no portal Tarifa Zero

*Zicas = bicicletas
Zarcões = ônibus

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